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Streaming reorganiza o acesso a esportes olímpicos no Brasil

Streaming reorganiza o acesso a esportes olímpicos no Brasil

Fora das duas semanas dos Jogos Olímpicos, judô, natação, atletismo, ginástica e as modalidades paralímpicas praticamente desapareceram da TV aberta brasileira. No lugar da grade tradicional, o torcedor passou a depender de aplicativos por assinatura, canais gratuitos em plataformas de vídeo e serviços mantidos pelas próprias federações para acompanhar mundiais, etapas de Copa do Mundo e Jogos Pan-Americanos. É um mapa fragmentado, mas que, bem organizado, garante acesso a competições que antes simplesmente não chegavam ao público.

Um calendário que a TV não comporta

Um ciclo olímpico reúne quatro temporadas de competições internacionais, com mundiais, circuitos e torneios classificatórios espalhados por fusos horários diferentes. Nenhuma emissora de TV aberta tem espaço de grade para isso, e a prioridade natural recai sobre o futebol. O resultado é que boa parte dessas provas só existe em plataformas digitais, muitas vezes transmitidas pela própria entidade organizadora do evento.

O comportamento do público acompanha essa migração. Segundo a pesquisa TIC Domicílios, do Comitê Gestor da Internet no Brasil, assistir a vídeos, programas, filmes ou séries é a atividade multimídia mais comum entre usuários de internet no país, e a maioria deles acessa a rede exclusivamente pelo celular. Na prática, isso significa que buscar a final do atletismo ou do judô começa pelo aplicativo certo, não mais pelo controle remoto.

Quatro caminhos para encontrar a transmissão

A cobertura de modalidades olímpicas hoje se divide em quatro tipos de serviço. Plataformas por assinatura concentram pacotes de direitos comprados de federações internacionais, com narração em português e grade organizada, mas nem sempre cobrem esportes de menor audiência. Canais gratuitos em plataformas de vídeo, mantidos por confederações e ligas, resolvem boa parte do calendário sem custo, ainda que com qualidade de imagem variável. Serviços próprios de federações e confederações exibem o circuito completo de cada modalidade, às vezes de graça, às vezes mediante pagamento. E o Comitê Olímpico Internacional mantém uma plataforma oficial com cadastro gratuito, voltada a eventos classificatórios, reprises e conteúdo sobre atletas.

Essa divisão explica por que o esporte paralímpico ganhou visibilidade digital nos últimos anos. Natação paralímpica, atletismo paralímpico, bocha e goalball raramente entram na grade regular da TV fora dos Jogos Paralímpicos, mas o Comitê Paralímpico Brasileiro passou a divulgar em seus canais oficiais as competições nacionais e a participação do país em eventos internacionais, suprindo uma lacuna que os veículos tradicionais cobrem apenas pontualmente.

Como não perder a próxima final

Os direitos de transmissão mudam de temporada para temporada e até de evento para evento dentro da mesma federação. Por isso, a fonte mais confiável segue sendo o canal oficial de cada confederação brasileira - como CBJ, CBAt, CBDA e CBG - e dos comitês olímpico e paralímpico do Brasil, que costumam confirmar onde assistir na semana do evento. Em competições continentais, a Panam Sports também anuncia parceiros de transmissão com antecedência.

Etapas de Copa do Mundo e circuitos como os Grand Slams de judô são os casos mais dispersos, já que cada etapa pode ter um parceiro de transmissão diferente. Seguir os canais oficiais das modalidades, anotar as datas no calendário pessoal e testar o aplicativo antes do dia da final evita o problema mais comum do fã olímpico: descobrir tarde demais onde a prova estava passando.

Pagar ou não pagar: uma conta que varia por modalidade

Não existe resposta única sobre a validade de uma assinatura. Ela compensa quando a modalidade acompanhada tem direitos exclusivos concentrados num serviço pago - caso comum em ligas internacionais de vôlei, por exemplo. Mas perde sentido quando a federação já oferece transmissão gratuita completa, situação frequente em canoagem e em diversas provas paralímpicas. Antes de assinar qualquer serviço, vale conferir se o evento também está disponível de graça num canal oficial: muitas vezes a imagem é a mesma, e o que muda é apenas a narração em português.