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Eleitores brasileiros nos EUA crescem 45%, mas medo do ICE ronda votação

Eleitores brasileiros nos EUA crescem 45%, mas medo do ICE ronda votação

Cerca de 265 mil brasileiros que moram nos Estados Unidos estão aptos a votar neste domingo (4), em eleição que tem como pano de fundo o clima de tensão migratória imposto pelo governo de Donald Trump. O número representa um salto de 45% em relação a 2022, taxa bem superior à média de crescimento do eleitorado no exterior (32%) e muito acima do avanço geral de apenas 1,5% registrado no restante do eleitorado brasileiro. Os Estados Unidos seguem como o principal polo de brasileiros aptos a votar fora do país, concentrando 29% desse contingente.

O perfil do eleitor brasileiro nos EUA segue a tendência observada no exterior como um todo: maioria de mulheres (56%), solteiros (49%) e pessoas com ensino superior completo (39%). A votação ocorre em 11 cidades norte-americanas, com destaque para Boston, que concentra 20% dos eleitores aptos no país, seguida por Miami e Nova York, empatadas com 15% cada, e Orlando, com 10%. Enquanto isso, comunidades brasileiras espalhadas por essas cidades também recorrem cada vez mais a ferramentas digitais no dia a dia, da mesma forma como negócios locais buscam soluções como comprar contas facebook para ampliar presença on-line, refletindo o quanto a vida da diáspora está hoje atravessada pela tecnologia, da organização política ao comércio. comprar contas facebook

Abstenção pode voltar a crescer em meio ao temor do ICE

Diferentemente da média do eleitor no exterior, os EUA foram território favorável a Jair Bolsonaro em 2022, quando o ex-presidente obteve 65,4% dos votos ante 34,6% de Luiz Inácio Lula da Silva, vencedor geral do pleito. A abstenção, no entanto, foi expressiva: 61,4% nos EUA, acima dos 55,4% do exterior em geral e muito superior aos 20,6% registrados na eleição como um todo. Houve leve melhora frente a 2018, quando a abstenção chegou a 65,1%, mas especialistas não esperam repetição desse avanço em 2026.

Organizações que atuam junto à comunidade brasileira preveem alta na abstenção neste ano, motivada pelo temor de detenções pelo serviço de imigração americano, o ICE. Segundo o Deportation Data Project, monitor ligado às universidades da Califórnia em Berkeley e Los Angeles, as prisões de brasileiros saltaram para uma média de 14 por dia sob Trump, ante 3 por dia nos últimos meses do governo Biden. "As pessoas estão com medo de ir ao supermercado, de levar o filho na escola, imagine votar", relata uma fonte que trabalha com a comunidade brasileira nos EUA.

Suspensão de serviços consulares e mudança de local aumentam apreensão

O anúncio de que os serviços consulares americanos no Brasil estariam suspensos, feito na última sexta-feira, intensificou a apreensão entre os brasileiros nos EUA às vésperas do pleito. O governo americano citou questões de segurança sem detalhar motivos, enquanto o Itamaraty adotou procedimento padrão diante do episódio - mas a falta de clareza gerou dúvidas sobre possíveis impactos nas relações bilaterais.

Neste ano, o Consulado-Geral do Brasil em Nova York transferiu o local de votação dos tradicionais colégios em Manhattan para uma universidade no Queens, bairro mais distante de polos com forte presença brasileira, como Newark. Segundo o consulado, a escolha levou em conta segurança e conforto da comunidade, com campus amplo, proteção interna por seguranças universitários e policiamento externo da NYPD. A mudança foi definida em coordenação com a prefeitura de Nova York, comandada por Zohran Mamdani, que recebeu Lula em setembro durante a Assembleia Geral da ONU - encontro em que, segundo interlocutores do governo brasileiro, o tema da política migratória não entrou em pauta.

Deportações para terceiros países seguem em disputa na Justiça americana

Reportagens recentes mostraram que os EUA têm deportado brasileiros não apenas para o país de origem, mas também para a Costa Rica e nações africanas como Libéria e Guiné Equatorial, dentro de um programa mais amplo de remoção para terceiros países. Em setembro, um tribunal de apelações chegou a bloquear deportações sem direito de contestação, mas a Suprema Corte derrubou a restrição na semana passada, liberando temporariamente a prática até a retomada do julgamento em dezembro, com decisão final esperada apenas em 2026.

Apesar do cenário de insegurança, organizações da sociedade civil relatam também um movimento de mobilização: brasileiros se articulando para viabilizar o voto de outros, inclusive organizando transporte até os locais de votação. "Não são números expressivos, mas vimos algumas pessoas se organizando, buscando formas de ir votar, e isso já é positivo, porque não esperávamos essa movimentação", afirma uma integrante de uma dessas organizações.